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10 de novembro de 2011

Protesto na Litorânea pela justiça das vítimas do acidente que aconteceu no sábado


Familiares e amigos das vítimas fazem cobram punição a condutor. Grupo realizou manifestação em local do acidente (THIAGO VELOSO/OIMP/DAPRESS

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Familiares e amigos das vítimas fazem cobram punição a condutor. Grupo realizou manifestação em local do acidente
Carro de som, apitos, faixas e cartazes foram usados por uma multidão que percorreu a Avenida Litorânea no inicio da noite de ontem para cobrar Justiça na apuração da morte de Solange Maria da Cruz, 42 anos, e do sobrinho dela, Ubiracy Silva Nascimento Filho, 13 anos. Os dois foram atropelados no último dia 4 pelo estudante Rodrigo Araújo Lima, 22 anos, quando atravessam um trecho da Litorânea. A acusação é que o homem estaria dirigindo em alta velocidade e também estaria embriagado.

O manifesto realizado na noite de ontem contou com cerca de mil participantes segundo estimativa do major Ismael Lopes do Corpo de Bombeiros. Foram disponibilizadas duas viaturas de socorro e uma ambulância para dar apoio ao movimento. O grupo iniciou a caminhada no início da avenida, onde ocorreu o atropelamento. Familiares e amigos das vítimas utilizaram giz para escrever no asfalto mensagens de carinho e cobranças para que o crime não fique impune.

Com o auxílio do carro de som, outras pessoas que perderam familiares em acidentes de trânsito compartilhavam as tristes histórias. Os manifestantes também utilizaram o momento para fortalecer o luta para alterar a legislação atual sobre as penas para quem dirige embriagado. A proposta envolve a extinção de fiança para o condutor que mata alguém ao dirigir embriagado, torna o exame de alcoolismo obrigatório e aumenta as penas de reclusão.

A principal crítica disparada contra a lei atual foi a soltura do condutor, mediante o pagamento de fiança, na mesma noite em que ocorreu o atropelamento e morte das vítimas. O marido de Solange, Osvaldo Coelho de Souza Filho, ressaltou que ao retornar do Instituto Médico Legal (IML) o motorista já não estava mais detido. O sentimento de frustração também foi compartilhado pelo pai e mãe do garoto Ubiracy que participaram da manifestação.

A idéia de fazer o protesto partiu de um primo de Ubiracy. "O meu irmão ficou revoltado com o que aconteceu e depois do enterro ele resolveu usar o Facebook para chamar as pessoas para o protesto", explicou Igor André Jansen Nascimento, 15 anos, também primo de Ubiracy. Além da rede social, o convite para dizer não à impunidade foi espalhado na escola Reino Infantil, onde Ubiracy estudava, e em outras instituições de ensino.

O advogado Jorge Viveiros, 51 anos, soube da mobilização através do filho que estudava com a vítima e se prontificou a participar do protesto. Situação semelhante ocorreu com a administradora de empresas Silmara Paiva, 43 anos. "Me coloco no lugar dos familiares e penso se ocorresse com um dos meus filhos. Um crime desses não pode ficar impune", declarou.

Carro do atropelamento possui mais de mil reais em multas

O veículo conduzido pelo estudante Rodrigo Araújo Lima possuía mais de nove multas vencidas e estava com o IPVA atrasado somando mais de R$ 1 mil em multas. As informações foram reveladas na noite de ontem pelos telejornais da capital através de documentos do Detran comprovando as irregularidades. Entre as infrações mais graves estão excesso de velocidade, furo a bloqueio policial e ultrapassagem perigosa.

Devido à série de infrações e ao não pagamento das multas, o carro não poderia estar circulando pelas ruas. Os advogados de defesa de Rodrigo chegaram a admitir durante a entrevista que o estudante foi imprudente ao conduzir com em alta velocidade, mas não se pronunciaram sobre a acusação de embriaguez. O laudo sobre a dosagem alcoólica do condutor deve ser divulgado na próxima segunda-feira (14).

Delegada já ouviu Rodrigo Araújo e testemunhas 
Heloísa Vasconcelos

"Precisamos concluir esse inquérito até o dia cinco de dezembro", afirmou a delegada Ana Cláudia Campos da Silva Melo, da Delegacia de Acidentes de Trânsito (DAT), sobre o caso do acidente que aconteceu na Avenida Litorânea, no último sábado (5).

Em entrevista a O Imparcial, a delegada Ana Cláudia Campos esclareceu que nenhuma conclusão pode ser tomada antes do fim da investigação. "Tudo ainda está sendo investigado. Apesar de ter prestado depoimento logo depois da autuação em flagrante, o Rodrigo será ouvido novamente, e as testemunhas também", explicou a delegada. Ana Cláudia afirmou também que o depoimento de Rodrigo Araújo pode responder algumas perguntas que vão ajudar na investigação.

A delegada falou sobre questões importantes que ainda não 
foram definidas por dependerem dos laudos do ICRIM e IML. "Ainda não há comprovação da embriaguez do Rodrigo e nem que os faróis estavam apagados na hora do acidente. Essas questões ainda estão sob investigação, mas eu dependo dos laudos do ICRIM e IML", ressaltou Ana Cláudia. Ela informou ainda que, até a próxima semana, devem ser ouvidas todas as testemunhas e que Rodrigo Araújo Lima compareceu à DAT na manhã de ontem e já prestou depoimento.

O outro lado da história

Enquanto o caso é investigado, a família de Osvaldo Coelho e do menino Ubiracy Silva tentam seguir em frente. O depoimento de Osvaldo foi marcado para a tarde de ontem. Ele afirmou que na manhã dessa quarta-feira esteve com o pai de Ubiracy para resolver questões ainda pendentes sobre o acidente, e afirmou: "Ele ainda está em estado de choque".

Esclarecendo o caso
Na manhã da última terça-feira (8) a equipe de O Imparcial esteve na Delegacia de Acidentes de Trânsito para falar com a delegada sobre o depoimento de Rodrigo Araújo Lima, que estava previsto para a manhã da última terça-feira (8). Não sendo possível falar com a delegada, a escrivã informou que Rodrigo foi intimado, mas não compareceu. No entanto, Rodrigo esteve na DAT acompanhado do seu advogado, conforme esclareceu depois a delegada Ana Cláudia. "O Rodrigo esteve aqui com o advogado, mas não foi possível ouvi-lo porque naquele momento estava acontecendo uma manifestação de apoio à nova delegada-geral da Polícia Civil, Maria Cristina Resende Meneses", explicou a delegada. Ela afirmou ainda que, por esse motivo, o depoimento foi remarcado para ontem.


o imparcial

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